Graute: entenda o que é e como aplicar?

Graute sendo inserido na obra

A engenharia civil moderna exige precisão, segurança e eficiência em cada etapa de uma obra. Entre os materiais fundamentais para garantir resistência e estabilidade nas estruturas, o graute se destaca como uma solução técnica indispensável, principalmente quando se trabalha com bloco estrutural, pilares, vigas e fundações.

Ao longo deste conteúdo, explicaremos o que é graute, como ele funciona, em quais situações é utilizado, além de apresentar as vantagens e limitações para incorporadoras, construtoras e empresários do setor da construção civil.

O que é graute?

O graute é um tipo de argamassa ou microconcreto com alta fluidez, desenvolvido para preencher vazios em elementos estruturais como blocos cerâmicos, alvenarias armadas e bases metálicas. Sua principal função é promover o preenchimento completo de cavidades e espaços entre peças estruturais, onde estão acomodadas as armaduras verticais, horizontais ou amarrações entre paredes, aumentando significativamente a resistência e a integridade do sistema construtivo.

Diferentemente da argamassa convencional, o graute possui composição específica com alta resistência que varia dependendo da sua composição e tempo de cura. A sua aplicação não necessita de vibração, alcançando locais de difícil acesso com precisão e consistência.

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Quem determina os pontos de graute?

O graute pode ser aplicado em diversas etapas e sistemas da construção civil. Para sua utilização deve ser seguido um projeto estrutural desenvolvido por um profissional especialista, o Engenheiro Calculista. Podemos dar alguns exemplos para os seguintes usos:

  • Alvenaria estrutural: preenchimento de pontos estratégicos projetados com armaduras verticais e horizontais quando utilizado sistema de alvenaria com blocos cerâmicos, principalmente quando se utiliza a modulação de 14x19x29 em obras com até cinco pavimentos.
  • Base de equipamentos e máquinas: para garantir estabilidade e dissipar vibrações.
  • Ancoragens de barras de aço: quando há necessidade de engastar elementos estruturais ou reforçar a fundação.
  • Colunas e pilares metálicos: preenchimento da base entre o aço e a fundação de concreto, garantindo aderência e transferência de carga.
  • Reforço de fundações: em obras de retrofit ou reforço estrutural, o graute pode ser injetado em sapatas, estacas e blocos para aumentar a capacidade de carga.
  • Vedação de alvenaria com reforço estrutural: em sistemas híbridos de vedação e sustentação.

Empresas que trabalham com tipos de fundação como radier, sapata ou blocos sobre estacas costumam utilizar graute para criar continuidade entre elementos estruturais e garantir melhor performance ao longo do tempo.

Componentes do material e suas vantagens

O graute é composto basicamente por cimento Portland, areia fina, aditivos plastificantes, superplastificantes e, em alguns casos, agregados graúdos (quando se trata de microconcreto). Essa composição confere ao material as seguintes propriedades técnicas:

  • Alta fluidez: permite o preenchimento total de vazios, mesmo em geometrias complexas.
  • Alta resistência mecânica: suporta grandes cargas e esforços estruturais.
  • Baixa retração: evita fissuras e trincas, mesmo após a cura.
  • Aderência superior: ótima união com blocos, aços, pilares e fundações.
  • Facilidade de aplicação: dispensa vibração e pode ser bombeado ou aplicado por gravidade.

Essas características tornam o graute indispensável em obras que priorizam qualidade estrutural, durabilidade e cumprimento das normas técnicas. Além disso, seu uso reduz patologias e retrabalhos futuros.

Qual a diferença entre concreto e graute?

Embora visualmente semelhantes, concreto e graute têm composições e finalidades distintas.

O concreto é utilizado para moldar elementos estruturais como lajes, vigas e pilares. Sua consistência é mais espessa, e ele exige vibração mecânica para garantir adensamento e resistência.

Já o graute é um material com fluidez muito maior, ideal para preenchimento de espaços confinados e cavidades verticais. Ele pode ser classificado em duas categorias:

  • Graute cimentício: mais fluido, indicado para grauteamento de blocos, colunas metálicas e estruturas armadas.
  • Graute com agregados graúdos (microconcreto): usado em preenchimentos maiores, como reforços de fundações e estruturas maciças.

Portanto, o graute não substitui o concreto, mas o complementa em aplicações específicas, especialmente quando se exige precisão e preenchimento de espaços estreitos.

Rendimento do graute por kg

O rendimento do graute pode variar conforme sua densidade e aplicação. De modo geral, o consumo médio está entre 2.100 a 2.400 kg/m³.

Para facilitar, veja um exemplo prático:

  • Um saco de graute de 25 kg rende cerca de 10 a 11 litros de volume preenchido, ou seja, 0,010 a 0,011 m³.
  • Isso significa que, para preencher 1 m³, serão necessários de 91 a 100 sacos de graute.

Esse cálculo pode variar conforme o tipo de graute utilizado (graute seco, fluido, expandido, com fibras, etc.) e o nível de preenchimento exigido, como no caso do grauteamento de bloco estrutural com cavidades verticais contínuas.

Empresários e engenheiros devem considerar esse rendimento no orçamento da obra, principalmente em projetos de alvenaria estrutural com blocos como o Tijolo 14x19x29.

Quais são as desvantagens do graute?

Apesar de suas inúmeras vantagens, o graute também possui algumas limitações que precisam ser consideradas:

  • Custo elevado: em comparação à argamassa tradicional, o graute tem custo mais alto por quilo.
  • Curto tempo de trabalhabilidade: por ser muito fluido, o tempo entre preparo e aplicação é limitado.
  • Dependência de mão de obra qualificada: a aplicação incorreta pode gerar falhas estruturais.
  • Cura cuidadosa: exige atenção especial no processo de cura para garantir resistência ideal.
  • Requer planejamento logístico: em grandes volumes, pode demandar equipamento específico como bomba de grauteamento ou funis de aplicação.

Empresários que visam obras escaláveis ou de alto padrão devem avaliar o custo-benefício do uso de graute frente ao ganho estrutural e à redução de retrabalho.

Precisa molhar o graute para utilizar?

O graute, por ser um material com alta concentração de cimento e aditivos, não precisa ser molhado após preparado, mas há cuidados importantes antes da aplicação:

  • Molhar a superfície de aplicação: é recomendável umedecer os blocos, bases ou cavidades onde o graute será aplicado, evitando absorção excessiva de água e comprometimento da aderência.
  • Nunca adicionar água ao graute já preparado: isso altera sua composição, reduz resistência e pode causar falhas.

Além disso, a cura úmida do graute após a aplicação é fundamental. Isso significa manter a área umedecida com manta molhada, filme plástico ou aspersão leve por pelo menos 3 a 5 dias, dependendo das condições climáticas.

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